sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Ser poeta

Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!



É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!



É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!



E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente! (Florbela Espanca, Ser poeta, pg. 352)

Esse poema é mais que profundo. Espanca usa muitas metáforas aqui para descrever como é ser poeta. Não é como ter fome...é ter fome. Não age como algo, é algo. Ele utiliza o verbo "ser" no sentido mais literal para criar uma conexão entre ser poeta e o mundo familiar que todos conhecemos.

Como é quase uma tarefa impossível descrever de verdade como é ser um poeta, Espanca também utiliza a scema de rimar para enfatizar a impossibiidade de descrever como é ser poeta e criar poesia que muda a mente das pessoas.
Adoro os primeiros versos, a primeira linha: "Ser poeta é ser mais alto, é ser maior / Do que os homens!" Ser poeta não é ser um ser humano normal como qualquer outro, mais alguém que conhece o mundo por uma perspective completamente diferente.

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