Acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção (Rubem Braga, Homem no mar, pg. 84)
O narrador desta crônica não conhece esse homem nadador, nem sabe nada dele. Mas ainda assim, ele o acompanha o tempo todo.
Esta parte me tocou na palavra testemunho. O narrador se vê como testemunho do que aconteceu; neste caso, ele se vê como testemunho de que o homem nadou no mar a distância que viu. Mesmo sem conhecer este homem, ele sente prazer em poder testemunhar a algo que um estranho tem feito e cumprido.
Todos nos somos testemunhos de pessoas que não conhecemos: celebridades, atores, atlétos, autores, homens de negócios, e muito mais. Embora não conheçamos essas pessoas pessoalmente, também sentimos um prazer em vê-los terem sucesso. Sentimos uma esperança no ser humano, uma luz que nos diz que porque eles conseguiram algo maravilhoso e incrível, nós também podemos conseguir coisas maravilhosas; nós também podemos cumprir os nossos sonhos.
O narrador também escolhe a escrever essa crônica para mostrar que às vezes, são as coisas pequenas e simples que realmente contam na vida. O narrador não sabia o que o homem era, se era advogado, médico, professor, ou pai. Mas ele via um homem sucessivo, alguém que tinha conseguido algo. Não importava o que o homem tinha conseguido na vida, mas naquele momento, somente importava que ele conseguiu chegar ao outro lado. E o narrador achou isso incrível.
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