sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O Conto da Ilha Desconhecida

Tens com certeza um mester, um ofício, uma profissão, como agora se diz, Tenho, tive, terei se for preciso, mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és (José Saramago, O conto da ilha desconhecida, pg. 45)

Se não sais de ti, não chegas a saber quem és. O rei no começo não queria dar o barco ao homem, ele não queria acreditar que podia haver algo mais do que já conhecia. Mas o homem tinha outra perspectiva, ele tinha a humildade suficiente para aceitar o fato de que ele não sabia de tudo. De que ele não tinha toda sabedoria, de que ele tinha muito para aprender. Ilhas desconhecidas.

O homem do barco tinha uma profissão. Ele tinha algo para voltar se nada desse certo. Mas ele queria riscar tudo isso para achar mais algo que poderia existir. Ele queria achar o que ninguém tinha achado ainda. Ele queria ser mais, ele queria saber mais, conhecer mais. Não necessariamente mais que alguém, mas para ele mesmo, ele queria ser mais. Ele ia "sair de si" e chegar a saber quem ele realmente era.

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