quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A chinela turca: paixões fortes

- Então! Que tal lhe pareceu?

- Ah! excelente! respondeu o bacharel, levantando-se.

- Paixões fortes, não?

- Fortíssimas (Machado de Assis, A chinela turca, pg. 38).

O Duarte tem acabado de sair de um sonho incrível, uma aventura da imaginação. O major está perguntando ao Duarte o que ele achou do drama, e o Duarte responde com uma resposta aceitável. Enquanto a resposta do Duarte é exatamente o que o major quer ouvir nesse momento exato, o que o Duarte está dizendo não é o que o major pensa de jeito nenhum. Adoro esse duplo sentido.

Isso veio bem no finalzinho do conto para enfatizar o que deve estar acontecendo na mente do Duarte nesse momento. Consigo vê-lo, nadando através um mar de pensamentos na própria cabeça dele, nem dando atenção ao que o major está perguntando. As paixões fortes que o Duarte agora tem não são do drama do major, mas dessa realização de que "o melhor drama está no espectador e não no palco."

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