Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: - Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e viva (Machado de Assis, A cartomante, pg. 20).
No começo do conto, lemos que o Camilo "não acreditava em nada." Mas à historia terminar, ele agora tem uma fé "nova e viva." O que mudou? No começo ele não estava preocupado. Se estava, fingia bem. Ao passar pela guerra interna que o Camilo passou ao sofrer a tribulação do seu próprio pecado, ele chegou a ter um desejo de acreditar. Esse desejo veio não do amor, mas do medo de ser descoberto pela pessoa que mais amava como amigo.
Camilo escolhe acreditar nas palavras da cartomante para se aliviar dos sentimentos de culpa e remorso que estava sentindo sem cessarem. Ele nunca quis acreditar antes por falta de necessidade. A escolha do Camilo em obter esta fé "viva" nos dá um olhado à mente dele, mostrando ao leitor que ele não queria verdadeiramente obter uma fé ou uma crença inabalável. Ele somente queria se livrar do fardo que tinha pesado nele o tempo todo. Isso mostra a ingenuidade do Camilo e mais ainda susta o leitor ao chegar ao final do conto, terminando com o assassinato dele.
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