Preparar uma apresentação teatral na língua portuguesa foi uma oportunidade única para mim. Admito que nem acreditava que ia conseguir decorar as minhas linhas. Mas com muito, muito pratica e fé (claro que tem que ter muito fé para fazer coisas difíceis), eu consegui decorar as linhas antes de voltar do Thanksgiving Break.
Decorando as linhas foi uma experiência interessante. Perecebi que ao decorar as linhas, eu pude tirar muito significado das palavras e o que elas poderiam estar dizendo. Achei significados que não teria visto se não fosse me coloar na posição do padre.
Tivemos que implementar o "blocking" da scena também. Isso exigiu que pensássemos como se fóssemos os personagens mesmo. Tive que me colocar na cabeça do padre para pensar como ele pensaria, agir como eu acho ele agiria. Eu pessoalmente acabei me sentindo mais simpatia para o padre, finalmente vendo a perspectiva dele e porque ele deve ter ficado tão bravo. Especialmente um padre que leve seu cargo com muito seriedade, ele deve ter ofendido mesmo com as palavras do Zé. Me colocando na sua posição me ajudou a entender como o padre deve ter pensado.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Pagador de promessas: Padre
ZÉ: (Humildemente)
Padre... eu não quis imitar Jesus...
PADRE: (Corta terrível)
Mentira! Eu gravei suas palavras! Você mesmo disse que
prometeu carregar uma cruz tão pesada quanto a de Cristo.
ZÉ: Sim, mas isso...
PADRE: Isso prova que você está sendo submetido a uma tentação ainda
maior.
ZÉ: Qual, Padre?
PADRE: A de igualar-se ao Filho de Deus.
(Dias Gomes, O Pagador de Promessas)
Esta scena entre Zé e Padre encapsula o teatro inteiro. Esta conversa nos mostra porque o teatro existe mesmo. Padre suspeta Zé de estar querendo imitar Jesus, mas Zé é tão ingênuo que nem pensaria nisso. Zé não quer fazer nada disso, ele só quer pagar sua promessa. Mas o fato do líder religioso estar achando culpa num homem inocente como Zé diz algo sobre religião em geral.
Padre... eu não quis imitar Jesus...
PADRE: (Corta terrível)
Mentira! Eu gravei suas palavras! Você mesmo disse que
prometeu carregar uma cruz tão pesada quanto a de Cristo.
ZÉ: Sim, mas isso...
PADRE: Isso prova que você está sendo submetido a uma tentação ainda
maior.
ZÉ: Qual, Padre?
PADRE: A de igualar-se ao Filho de Deus.
(Dias Gomes, O Pagador de Promessas)
Esta scena entre Zé e Padre encapsula o teatro inteiro. Esta conversa nos mostra porque o teatro existe mesmo. Padre suspeta Zé de estar querendo imitar Jesus, mas Zé é tão ingênuo que nem pensaria nisso. Zé não quer fazer nada disso, ele só quer pagar sua promessa. Mas o fato do líder religioso estar achando culpa num homem inocente como Zé diz algo sobre religião em geral.
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Pagador de promessas: Rosa nos dá o título
ROSA: Que é que você está procurando?
ZÉ: Qualquer coisa escrita... pra a gente saber se essa é mesmo a
igreja de Santa Bárbara.
ROSA: E você já viu igreja com letreiro na porta, homem?
ZÉ: É que pode não ser essa...
ROSA: Claro que é essa. Não lembra o que o vigário disse? Uma igreja
pequena, numa praça, perto duma ladeira...
ZÉ:
(Corre os olhos em volta)
Se a gente pudesse perguntar a alguém...
ROSA: Essa hora está todo o mundo dormindo.
(Olha-o quase com raiva).
Todo o mundo... menos eu, que tive a infelicidade de me casar
com um pagador de promessas.
(Dias Gomes, O Pagador de Promessas)
Esta scena mostra quem realmente são Zé e Rosa. Zé parece ingênuo, ele tem tanto confiança na promessa que ele tem feito e que tudo dará certo. Rosa é mais realistica, ela vê as coisas como são e quer ajudar Zé a entender que o que ele está vendo não vale a pena. Rosa descreve a igreja aqui, que ajuda o leitor a ver como seria tudo na scena.
Zé inocentemente quer perguntar a alguém da igreja para cumprir a sua promessa, mas Rosa acha que vê algo que Zé não enxerga. O que enfatiza mais o significado aqui é a última linha, as palavras de Rosa: "eu, que tive a infelicidade de me casar com um pagador de promessas." Ela refere a Zé de um pagador de promessas, que é o título do livro. Ele é um pagador de promessas porque ele está pagando a promessa dele á igreja.
ZÉ: Qualquer coisa escrita... pra a gente saber se essa é mesmo a
igreja de Santa Bárbara.
ROSA: E você já viu igreja com letreiro na porta, homem?
ZÉ: É que pode não ser essa...
ROSA: Claro que é essa. Não lembra o que o vigário disse? Uma igreja
pequena, numa praça, perto duma ladeira...
ZÉ:
(Corre os olhos em volta)
Se a gente pudesse perguntar a alguém...
ROSA: Essa hora está todo o mundo dormindo.
(Olha-o quase com raiva).
Todo o mundo... menos eu, que tive a infelicidade de me casar
com um pagador de promessas.
(Dias Gomes, O Pagador de Promessas)
Esta scena mostra quem realmente são Zé e Rosa. Zé parece ingênuo, ele tem tanto confiança na promessa que ele tem feito e que tudo dará certo. Rosa é mais realistica, ela vê as coisas como são e quer ajudar Zé a entender que o que ele está vendo não vale a pena. Rosa descreve a igreja aqui, que ajuda o leitor a ver como seria tudo na scena.
Zé inocentemente quer perguntar a alguém da igreja para cumprir a sua promessa, mas Rosa acha que vê algo que Zé não enxerga. O que enfatiza mais o significado aqui é a última linha, as palavras de Rosa: "eu, que tive a infelicidade de me casar com um pagador de promessas." Ela refere a Zé de um pagador de promessas, que é o título do livro. Ele é um pagador de promessas porque ele está pagando a promessa dele á igreja.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
O Pagador de Promessas: Imitar Jesus
PADRE: Não vai pretender ser olhado como um novo Cristo?
ZÉ: Eu?!
PADRE: Sim, você. Você que acaba de repetir a via crucis, sofrendo o martírio de Jesus. Você que, presunçosamente, pretende imitar o Filho de Deus...
ZÉ (Humildemente): Padre, eu não quis imitar Jesus!
PADRE: Mentira! Eu gravei suas palavras! Você mesmo disse que prometeu carregar uma cruz tão pesada quanto a de Cristo.
ZÉ: Sim, mas isso...
PADRE: Isso prova que você está sendo submetido a uma tentação ainda maior.
ZÉ: Qual, Padre?
PADRE: A de igualar-se ao Filho de Deus. (Dias Gomes, O Pagador de Promessas, pgs. 74-75).
Dias Gomes aqui está atacando religião em geral, aqui ele utiliza o personagem do padre. O padre está jogando palavras na boca do Zé, dizendo que ele quer dizer uma coisa ao carregar a cruz enquanto Zé não quer dizer nada disso. Ele diz que o que Zé diz é "mentira" e diz que isso "prova que [Zé] está sendo submetido a uma tentação ainda maior." O Padre de uma igreja não deveria ser a primeira pessoa para acreditar as palavras de um pobre homem que acabou de carregar uma cruz para "setenta léguas"?
O Padre também diz que o Zé está tentando se-comparar a Jesus Cristo. Isso é simbólico de errors da igreja. Gomes quer dizer que a religião e os líderes religiosos têm falhas e não são perfeitos. Eles podem errar, como o padre aqui acusou Zé de blasfemar a agir como ele agiu.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Autopsicografia
"Autopsicografia"
O poeta é um fingador.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só que éles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão
Ésse comboio de corda
Que se chama o coração.
(Fernando Pessoa, Autopsicografia, pg. 165)
Esse poema talvez seja um dos poemas mais profundas que já compreendi. Quando o li pela primeira vez, não entendi absolutamente nada. Não sabia o que Pessoa queria dizer, e não achei que eu poderia entender. Mas ao conversamos em sala de aula sobre isso e realmente entrar no poema e ver o que Pessoa quer ilustrar ao leitor aqui, eu sinto como se uma janela tivesse se aberto para mim.
O poeta é um fingador, um ator que pinta uma imagem para o leitor que não existe. O leitor acha novas verdades que o escritor nem conheceu nunca.
O poeta faz com que o leitor sinta algo que o poeta nem sentiu na sua vida.
Pois o poeta talvez nem conheça a dor direito.
Mas ele escreve para fingir que a conhece.
O poeta escreve palavras lindas para descrever as emoções que são impossíveis a entender. O amor, o medo, o ódio, os sentimentos que temos que nem sabemos o que são. O poeta faz tudo isso.
Portanto, no final do dia, o poeta tem conseguido convencer o leitor que tem sentimentos que não há.
Que talvez nem existam.
O poeta é um fingador.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só que éles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão
Ésse comboio de corda
Que se chama o coração.
(Fernando Pessoa, Autopsicografia, pg. 165)
Esse poema talvez seja um dos poemas mais profundas que já compreendi. Quando o li pela primeira vez, não entendi absolutamente nada. Não sabia o que Pessoa queria dizer, e não achei que eu poderia entender. Mas ao conversamos em sala de aula sobre isso e realmente entrar no poema e ver o que Pessoa quer ilustrar ao leitor aqui, eu sinto como se uma janela tivesse se aberto para mim.
O poeta é um fingador, um ator que pinta uma imagem para o leitor que não existe. O leitor acha novas verdades que o escritor nem conheceu nunca.
O poeta faz com que o leitor sinta algo que o poeta nem sentiu na sua vida.
Pois o poeta talvez nem conheça a dor direito.
Mas ele escreve para fingir que a conhece.
O poeta escreve palavras lindas para descrever as emoções que são impossíveis a entender. O amor, o medo, o ódio, os sentimentos que temos que nem sabemos o que são. O poeta faz tudo isso.
Portanto, no final do dia, o poeta tem conseguido convencer o leitor que tem sentimentos que não há.
Que talvez nem existam.
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Ser poeta
Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente! (Florbela Espanca, Ser poeta, pg. 352)
Esse poema é mais que profundo. Espanca usa muitas metáforas aqui para descrever como é ser poeta. Não é como ter fome...é ter fome. Não age como algo, é algo. Ele utiliza o verbo "ser" no sentido mais literal para criar uma conexão entre ser poeta e o mundo familiar que todos conhecemos.
Como é quase uma tarefa impossível descrever de verdade como é ser um poeta, Espanca também utiliza a scema de rimar para enfatizar a impossibiidade de descrever como é ser poeta e criar poesia que muda a mente das pessoas.
Adoro os primeiros versos, a primeira linha: "Ser poeta é ser mais alto, é ser maior / Do que os homens!" Ser poeta não é ser um ser humano normal como qualquer outro, mais alguém que conhece o mundo por uma perspective completamente diferente.
sábado, 15 de outubro de 2016
If It's Square, It's a Sonnet: O Soneto é Curto.
One of the old French philosophers and wits, Blaise Pascal, apologized for writing a long letter, saying, "I had not time to write a short one." (Thomas C. Foster, How to Read Literature like a Professor, pg. 27)
É facil escrever algo longo e cumprido, anotando todos os pensamentos que vêm à cabeça e entram na sua mente. É difícil pegar os seus pensamentos e forçá-los a caber em um espaço pequeno. Acontece que um soneto é um "espaço pequeno". Por esse motivo mesmo que a forma importa tanto, porque a maneira que escrevemos arte pode fazer toda a diferença ao leitor e na maneira que ele interpreta a sua escrita.
Um soneto é curto, e exige forma. Por isso que o soneto é tão lindo; quando o lê, vê que tem exigido muito pensamento, muita paciência e muito ponderar em como rimar os fins das linhas. Escrever also cumprido pode ser rápido, porque você não tem que pensar em como cortar as suas frases e linhas. Mas fazer algo curto exige mais tempo. A forma define o soneto, ao fazê-lo bom ou ruim.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Homem no mar: o testemunho
Acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção (Rubem Braga, Homem no mar, pg. 84)
O narrador desta crônica não conhece esse homem nadador, nem sabe nada dele. Mas ainda assim, ele o acompanha o tempo todo.
Esta parte me tocou na palavra testemunho. O narrador se vê como testemunho do que aconteceu; neste caso, ele se vê como testemunho de que o homem nadou no mar a distância que viu. Mesmo sem conhecer este homem, ele sente prazer em poder testemunhar a algo que um estranho tem feito e cumprido.
Todos nos somos testemunhos de pessoas que não conhecemos: celebridades, atores, atlétos, autores, homens de negócios, e muito mais. Embora não conheçamos essas pessoas pessoalmente, também sentimos um prazer em vê-los terem sucesso. Sentimos uma esperança no ser humano, uma luz que nos diz que porque eles conseguiram algo maravilhoso e incrível, nós também podemos conseguir coisas maravilhosas; nós também podemos cumprir os nossos sonhos.
O narrador também escolhe a escrever essa crônica para mostrar que às vezes, são as coisas pequenas e simples que realmente contam na vida. O narrador não sabia o que o homem era, se era advogado, médico, professor, ou pai. Mas ele via um homem sucessivo, alguém que tinha conseguido algo. Não importava o que o homem tinha conseguido na vida, mas naquele momento, somente importava que ele conseguiu chegar ao outro lado. E o narrador achou isso incrível.
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
O Conto da Ilha Desconhecida
Tens com certeza um mester, um ofício, uma profissão, como agora se diz, Tenho, tive, terei se for preciso, mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és (José Saramago, O conto da ilha desconhecida, pg. 45)
Se não sais de ti, não chegas a saber quem és. O rei no começo não queria dar o barco ao homem, ele não queria acreditar que podia haver algo mais do que já conhecia. Mas o homem tinha outra perspectiva, ele tinha a humildade suficiente para aceitar o fato de que ele não sabia de tudo. De que ele não tinha toda sabedoria, de que ele tinha muito para aprender. Ilhas desconhecidas.
O homem do barco tinha uma profissão. Ele tinha algo para voltar se nada desse certo. Mas ele queria riscar tudo isso para achar mais algo que poderia existir. Ele queria achar o que ninguém tinha achado ainda. Ele queria ser mais, ele queria saber mais, conhecer mais. Não necessariamente mais que alguém, mas para ele mesmo, ele queria ser mais. Ele ia "sair de si" e chegar a saber quem ele realmente era.
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
A chinela turca: paixões fortes
- Então! Que tal lhe pareceu?
- Ah! excelente! respondeu o bacharel, levantando-se.
- Paixões fortes, não?
- Fortíssimas (Machado de Assis, A chinela turca, pg. 38).
O Duarte tem acabado de sair de um sonho incrível, uma aventura da imaginação. O major está perguntando ao Duarte o que ele achou do drama, e o Duarte responde com uma resposta aceitável. Enquanto a resposta do Duarte é exatamente o que o major quer ouvir nesse momento exato, o que o Duarte está dizendo não é o que o major pensa de jeito nenhum. Adoro esse duplo sentido.
Isso veio bem no finalzinho do conto para enfatizar o que deve estar acontecendo na mente do Duarte nesse momento. Consigo vê-lo, nadando através um mar de pensamentos na própria cabeça dele, nem dando atenção ao que o major está perguntando. As paixões fortes que o Duarte agora tem não são do drama do major, mas dessa realização de que "o melhor drama está no espectador e não no palco."
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Missa do galo: a contradição
Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me (Machado de Assis, Missa do galo, pg. 29)
A dificuldade num texto que tem um narrador autodiegético é o fato de que o leitor nunca sabe se pode confiar no narrador. É o caso do texto Missa do galo. Já não confiamos no Nogueira e a história dele, não sabemos se ele está agindo como o rapaz que é ou se realmente a Conceição estava tentando seduzir ele. Aqui o Nogueira diz que ele nem lembra todos os acontecimentos daquela noite. Se ele não lembra, como é que nós vamos confiar no conto dele?
É difícil confiar num narrador que admite que nem lembra de todas as memórias. Talvez ele esteja sendo honesto, mas talvez ele esteja tentanto esconder alguma coisa do leitor. Não dá para saber exatamente o que está passando pela mente dele nesse momento.
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Uma fé nova e viva
Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: - Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e viva (Machado de Assis, A cartomante, pg. 20).
No começo do conto, lemos que o Camilo "não acreditava em nada." Mas à historia terminar, ele agora tem uma fé "nova e viva." O que mudou? No começo ele não estava preocupado. Se estava, fingia bem. Ao passar pela guerra interna que o Camilo passou ao sofrer a tribulação do seu próprio pecado, ele chegou a ter um desejo de acreditar. Esse desejo veio não do amor, mas do medo de ser descoberto pela pessoa que mais amava como amigo.
Camilo escolhe acreditar nas palavras da cartomante para se aliviar dos sentimentos de culpa e remorso que estava sentindo sem cessarem. Ele nunca quis acreditar antes por falta de necessidade. A escolha do Camilo em obter esta fé "viva" nos dá um olhado à mente dele, mostrando ao leitor que ele não queria verdadeiramente obter uma fé ou uma crença inabalável. Ele somente queria se livrar do fardo que tinha pesado nele o tempo todo. Isso mostra a ingenuidade do Camilo e mais ainda susta o leitor ao chegar ao final do conto, terminando com o assassinato dele.
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
A Interpretação
Interpretation looks in two directions through the medium of the person interpreting: it looks at the artifact or text, and it looks at the audience for whom the interpretation has been formulated. All of these elements--artifact, interpreter, audience, and also occasion--affect interpretation, although much interpretation pretends that only the artifact governs the process (David B. Paxman and Dianna M. Black, Interpretation is Many Things, page 67, no. 3).
Muitas pessoas pensam que a interpretação é somente o que o leitor vê numa passagem específica. Outras acreditam que o escritor determina o que o leitor vai pensar e crer. A interpretação se acha no meio desse dois extremos. A interpretação não é um ponto em que o leitor chega; nem é somente uma ideia. A interpretação é o processo e a transformação que o leitor passa em se achar pensando em ideias que outras pessoas têm pensado e escrito.
Não há uma maneira certa de interpretar as coisas. Sim, é verdade que várias pessoas talvez cheguem à mesma conclusão depois de lerem algum texto. Mas toda pessoa que existe tem passado por experiências próprias. Todo ser humano tem passado por seu próprio inferno e seu próprio céu. Todos nós temos ideias, opiniões, e crençãs diferentes. Quando somos dados um texto para interpretar, é óbvio que vamos interpretar a mesma leitura numa maneira diferente da pessoa ao nosso lado. O escritor determina o que lemos, mas nossas vidas determinam como percebemos as ideias que obtemos.
Vejo o melhor exemplo de interpretação ao lermos as escrituras. Toda vez que as lemos, adquiriremos nova revelação e inspiração. Suponhamos que leio o sétimo versículo do capítulo três de primeiro Néfi hoje. Vamos supor que eu observe que um ano atrás, eu anotei ao lado do versículo uma revelação que recebi no momento que o li naquela hora. Mas hoje não recebi a mesma revelação. Recebi uma outra, uma mais profunda que a de um ano atrás. Por que? Por que podemos ler a mesma coisa em momentos diferentes e obter conhecimento tão diferente? Por que nos mudamos. Estamos nos tornando pessoas diferentes ao viver as nossas vidas.
Por esse motivo que não podemos julgar os outros quando interpretam algo diferente que nos o interpretamos. Estamos em lugares diferentes. Temos passado por diferentes provas e experiências. Que possamos aceitar as opiniões e interpretações de todos, enquanto aceitando que todos nos como filhos de Deus estamos neste caminho juntos aprendendo em velocidades diferentes.
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